quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Caetano Veloso e Maria Gadú mostram afinidade surpreendente em São Paulo

Os músicos trouxeram sua turnê "voz e violão" à capital paulista, nesta quarta (24)

Francisco Cepeda/AgNews 
Francisco Cepeda/AgNews

As cortinas do palco do Via Funchal se abriram e Caetano Veloso e Maria Gadú estavam
sentados lado a lado, com uma grande “cebola” inflável ao fundo. Cada um com seu violão,
começaram a entoar  Beleza Pura, clássico de um dos discos mais hippies de Caetano,
o ótimo  Cinema Transcendental (1979).

Quentíssimo, o público, desde então, cantou quase todas as músicas do show Duo - Caetano Veloso e Maria Gadú, na noite desta quarta-feira (24).

Depois da primeira canção, Caetano, de 68 anos, deixou a “novata” Maria, de 24, sozinha no palco. Tímida, ela parece duas pessoas diferentes, quando solta o vozeirão e quando fala seus “obrigados” sem jeito, risonhos.

O calor da plateia não diminuiu nas cinco canções autorais que a paulista mostrou sozinha. Permeada por gritos de “absoluta” e “maravilhosa”, a apresentação de suas composições solo deixou claro que Gadú toca muito violão – habilidade de quem já animou muitos bares da vida – e tem uma voz aveludada poderosa, bonita mesmo.

Ainda que suas músicas pareçam um tanto genéricas à primeira ou segunda ouvidas – se bem que a maioria das mulheres presentes cantava Laranja, Dona Cila e Bela Flor a plenos pulmões -, Gadú tem personalidade musical marcante, com um violão de batidas fortes que lembram a melhor fase de Djavan e ecos de guitarra flamenca.

O momento Gadú solo cresceu com sua interpretação de A História de Lily Braun (Chico Buarque), já registrada no único disco da cantora, e depois com uma revigorante interpretação de Podres Poderes, pérola de Caetano Veloso com letra e melodia elaboradas.

E aí o baiano voltou ao palco. E o show realmente decolou.

Ainda com Gadú ao lado, Caetano mandou em seguida O Quereres, outro se seus incontáveis clássicos. E foi nessa filosofia – sucesso seguido de sucesso – que o show continuou. Era chegada a hora de Caetano ficar sozinho e jogar na cara dos paulistas sua magnética presença.

Genipapo Absoluto, Odeio, De Noite na Cama, Sampa e Desde que o Samba É Samba vieram na sequência. Até Caetano revelar que prefere ouvir suas músicas na voz da plateia – ou na de Maria Gadú –
e soltar o hit Sozinho, de Peninha. Os paulistanos foram ao delírio.

Caetano então lembrou que, ontem mesmo, algum jornalista tinha perguntado o que ele estava fazendo quando tinha a idade de Gadú. Ao que o músico respondeu, já cantando:
- Na idade dela eu estava fazendo isso: “Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento, o sol de quase dezembro, eu vou!”.

É emocionante pensar que, há 44 anos, o baiano compunha a canção mais emblemática de sua carreira e, talvez, a canção mais emblemática dos anos 60 no Brasil (ou isso é impressão de quem assistiu Anos Rebeldes?).

Caê chamou Gadú de volta ao palco e, reverenciando a “pupila”, engatou um pedacinho do refrão de Shimbalaiê, o maior sucesso da moça até agora. “Um dia ainda vou tocar ela inteira!”, brincou.

E a lista de hits continuou, agora em dose dupla – os falsetes de Caetano e o rascante da voz de Gadú se complementaram. Vieram Vaca Profana, Rapte-me Camaleoa, Odara, Meu Estranho Amor, O Leãozinho e até uma versão menos samba de Trem das Onze, do “nosso” Adoniran.

O bis trouxe Vai Levando, a única parceria de Caetano e Chico Buarque, e Menino do Rio. Gratos um ao outro, Caetano e Maria se abraçaram mais uma vez e deixaram o palco, visivelmente satisfeitos com a receptividade do público.

Com um repertório que mesclou tão bem canções com referências ao Rio, à Bahia e a São Paulo, mestre e pupila se foram, deixando apenas seus banquinhos e violões em frente ao grande balão branco, nessa hora já obsoleto em sua função de preencher aquele palco tão grande. Nem precisava.

Fonte: R7

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