segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Gadú diz não ter nenhum tipo de preconceito

Gadú, em seu apartamento na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio 
(Foto: Wilton Júnior/AE)

Há quatro anos, um apartamento de um quarto, próximo ao metrô São Judas, zona sul de São Paulo, casa de Mayra Duarte, era o ponto de encontro de amigos. De lá pra cá, ela mudou. Trocou de Estado, de vista, de nome. Não de amigos. “Não deixo ninguém pra trás”, diz.

Hoje, aos 24 anos, ela mora no Rio de Janeiro, com uma bela vista para a Lagoa Rodrigo de Freitas. A Mayra que tocava em bares pela capital paulista, agora faz shows com Caetano Veloso. O nome também mudou. Hoje, a moça atende por Maria Gadú. Lançando o primeiro DVD, Multishow Ao Vivo (R$ 34,90), um ano após o disco de estreia, ela convidou uma penca de amigos para participar da gravação.

A Mayra – ou Maria – gosta disso. Mistura um jeito moleque com estilo protetora. Em entrevista, porém, demora a se soltar e evita assuntos polêmicos. Confira:

Você parece tímida. Já se acostumou a dar entrevistas?
Quando as perguntas não são invasivas, fico de boa. Mas perguntam as mesmas coisas: “O que é Shimbalaiê?” Todo mundo já sabe que eu não sei o que quer dizer!

Mas o sucesso veio por conta da música ‘Shimbalaiê, né?
Sim. Uma música num veículo imenso, de abrangência nacional, num horário em que 90% da população está assistindo (na trilha sonora da novela Viver a Vida, da TV Globo). Eu tinha 10 anos quando fiz essa canção. Não dá para justificar minha atitude.

Seus amigos chamam você por Má, de Mayra, seu verdadeiro nome. Por que virou Maria?
Ah, porque o nome quem deu foi o meu pai. Não foi uma escolha minha. Acho que todo mundo tem o livre arbítrio de escolher o próprio nome. Sou contra essa coisa do pai dar um nome e você ter de conviver com ele a vida inteira.

Como é a sua vida no Rio? Tem tempo de ir à praia?
Não gosto de ficar conversando na areia. A casa fica cheia de areia, tudo cheio de areia. O cabelo cheio de areia. Me irrita! (risos).

Você também está em turnê com o Caetano Veloso. Como foi isso?
Há 2 anos, quando eu tocava aqui no Rio, em barzinhos, o Caetano foi ver. Sempre nos encontrávamos. Convidaram a gente para fazer uma inauguração da Globo. Pensei: “Puta que pariu, foda pra caralho!” Eu e ele estamos em turnê. Eu achei ruim, né? (risos).

Fãs suas imitam até seu estilo de se vestir. Tem essa preocupação de não se expor?
Não sou assim. Não uso drogas, não fico doidona na rua, não bebo, não caio, não brigo.

Quem são teus ídolos?
Todos. Gosto de música.

De Lady Gaga a Lou Reed?
Lady Gaga eu não gosto muito. Não gosto das letras. Não acho que muda a minha vida, não. Mas eu gosto de Calypso, de Belo…

E quando conheceu o trabalho da Marisa Monte?
Ouvia as músicas da minha avó, clássica e Nelson Gonçalves. Com a minha mãe, era Maria Bethânia, Chico… Ouvia também Sandy & Júnior. Conheci a Marisa Monte aos 11 anos. E me apaixonei.

Você já tinha o cabelo curto?
Velho, tive todos os cabelos que você pode imaginar: dread, rastafári, pintei de rosa, laranja, azul. Curto, longo. Raspei três vezes.

É comum as pessoas ligarem o seu nome ao tema da homossexualidade. Isso lhe irrita?
Não.

O que você fala sobre o assunto?
Eu não falo nada. Só digo: “Por que você precisa saber? Está dando em cima de mim? ” (risos). Mas normalmente as pessoas não me perguntam esse tipo de coisa.

Você tem problemas em dizer se é ou não é homossexual?
Isso não é um ponto principal. Não é um marco pra mim, nem tem que ser para ninguém. Eu gosto de pessoas, velho! Não tenho preconceito com nada. Eu sou muito livre. Respeito muito o tempo. Não preciso pontuar isso para ninguém, porque eu não pontuo para mim. Entende? É por isso que eu não tenho o que responder sobre esse assunto.

E filhos? Tem vontade de ter?
Ah, eu tenho. Não sei quando, nem em que circunstância. Acho a coisa do cuidar do outro sagrada.

Você canta algumas músicas em francês. Sabe falar a língua?
Um pouco. Meu pai é francês. O Marc (pai de consideração).

É dele o sobrenome Aygadoux. Como mudou para Gadú?
Ninguém sabe como escreve essa porra, velho! É uma coisa muito da fonética francesa. De uma mistura do latim com alguma coisa. Gadú é mais simples.

Falam muito das novas vozes femininas da MPB. Das antigas, quem você curte?
De tudo. Mas não só do Brasil. Do mundo. São sete mulheres para cada homem no mundo. A primeira grande permissão da mulher foi no espaço musical.

Você fala da conquista das mulheres. É feminista?
Não. Eu sou humanista. Acho que todo mundo tem de ficar bem. Eu brigo pelo direito do ser humano. É um direito do homem ter uma mulher mais presente em todas as áreas. Não é um órgão genital que vai mudar a história.

E política, você curte?
Adoro. Sou partidária, pelo bem do povo. Nem de direita, nem esquerda. Tudo tem dois lados.

Você é a favor ou contra a legalização da maconha?
Eu não fumo maconha. Então, não sei falar melhor sobre esse assunto. O lance do tráfico é que mais pega. A maconha talvez seja a droga que menos agrida, mas não sou a pessoa pra falar disso.

E o aborto?
Sou a favor do livre arbítrio, bicho. Só quem passa por isso que vai poder decidir. Não é a Igreja, nem ninguém, sabe.

Tem alguma religião?
Sou messiânica. Sou fã de Meishu-Sama, enfim, da filosofia messiânica que é: o bom, o bem e o belo.

Acredita em Deus?
Não sei quem é, mas acredito. Acho que Jesus foi um grande cara. Essa coisa do altruísmo, do respeito que ele teve. Não acredito no que a Igreja Católica levou para o outro lado, da poda. Jesus era altruísta, mega libertador. Quer? Coloca na cabeça e faz. Faça o que quiser fazer. Todo mundo é irmão, velho. Cocô todo mundo faz, saca? Somos todos iguais.

Fonte: JornaldaTarde

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