quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Maria Gadú: ''Eu sou o que canto''

Maria Gadú, 23 anos, é moleca. Joga futebol, anda de bicicleta, rola com a labradora Cuíca no chão, e prefere usar cuecas. ''Veio (sic), nunca pensei em ser aquela menina fresquinha'', confessa a cantora paulistana, revelação da MPB. Mas basta aparecer uma pulga na cadela de estimação para Gadú suplicar pela ajuda da mãe, dona Neusa Maria Francisca, 56. ''Maaaãe, olhe aqui, vem rápido! Que nojo'', grita.


No apartamento onde mora na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, há um ano, é possível conhecer um pouco mais de Gadú. Em cima do sofá, um laptop largado. Ela é louca por internet. Tem Orkut, Facebook e Twitter. Na varanda, uma longa rede, que quase invade a sala de estar, e, em cima de um móvel no quarto, a coleção de livros, DVDs e bonecos do bruxinho inglês Harry Potter. Sem falar do violão, claro. Grande paixão de Gadú desde os 8 anos. É com ele que a cantora percorre todo o Brasil e embala plateias com a música Shimbalaiê, tema de Dora (Giovanna Antonelli) em Viver a Vida (Globo). Em um ano já são quatro músicas em produções da Globo - Linda Rosa, na novela Cama de Gato, e A História de Lily Braun e Ne Me Quitte Pas, na minissérie Cinquentinhas -, além de uma participação em uma cena da também minissérie Maysa - Quando Fala o Coração, cantando em uma boate.

Talento precoce
Pode até parecer mentira, mas ela escreveu Shimbalaiê aos 10 anos. ''Peguei pinimba dessa canção, achava besteira, descrição de paisagem'', diz. Mesmo assim, ela se recusou a alterar a letra. ''Nunca mexi, porque diz respeito àquela fase da minha vida'', fala. Gadú teve como inspiração a avó, que era cantora lírica. ''Ela me colocava para ouvir música clássica, Maysa, Chiquinha Gonzaga.''

Se a menina chamava atenção pelo talento precoce, também dava trabalho por causa da personalidade forte. Na infância, quebrou o braço várias vezes, vivia brincando em terreno baldio e não gostava de bonecas. ''Era uma criança encardida, minha avó queria morrer. Odiava fazer provas no colégio, não tinha paciência, achava chato. Então acumulava tudo e, no fim do ano, tirava 10 e passava.''

A adolescência rebelde se refletiu no guarda-roupa. ''Sou vaidosa, me arrumo do meu jeito, meio esculhambada (risos). Prefiro usar cueca porque é mais confortável. Sou magra e minhas calças caem. Imagine ficar pagando calcinha por aí?!'', explica.

Vencendo a vergonha
Apesar de gostar de conversar e ser brincalhona, a cantora é tímida quando pisa no palco. Desde os 13 anos, frequenta bares e faz shows pela noite paulistana. ''Era ótimo porque as pessoas estavam ali para conversar, beber cerveja e, agora não, elas querem me ver. Sou muito envergonhada, mas estou me desenvolvendo'', conta. A mãe, companheira de todas as horas, ficava atrás de Gadú. ''Ela me ensinou a não confundir liberdade e responsabilidade. Sou de rua, mas não uso drogas. Meu único vício é o bendito cigarro.''

Mochilão na Europa
Aos 20 anos, a cantora abandonou São Paulo e se aventurou pela Europa. Ao lado de amigos, fez um mochilão por vários países e se manteve com dinheiro de apresentações pelas ruas de Roma e Verona, na Itália. Ficou por lá quatro meses e voltou para casa. Assim que pisou no Brasil e passou o Réveillon em Ilha Grande (RJ) - onde a família tem casa de praia - a vida de Gadú deu uma reviravolta. ''Sou amiga há mais de dez anos do Rafael Almeida e da Tânia Mara, e eles me apresentaram ao Jayme Monjardim (diretor de TV). Ele gostou de mim e pediu para eu tocar em Maysa'', conta.

Nesse período, Gadú desistiu definitivamente de São Paulo e passou a morar na Tijuca, na zona norte do Rio. Com uma mãozinha de Monjardim, ela foi à Som Livre. A gravadora adorou o trabalho da cantora, que não demorou a lançar seu primeiro CD, Maria Gadú.

Vida reservada
A cantora só mantém discrição quando o assunto é namoro. Ela diz que está solteira há pouco tempo e que já sofreu por amor. As histórias pessoais viram músicas e mais músicas. ''Tive decepções, todo mundo passa por isso. É tudo muito real, eu escrevo e ainda está saindo fumaça da bala.” E não existe hora nem lugar para compor. A canção Altar Particular, por exemplo, nasceu no ônibus. ''Fiz com o lápis de olho de uma amiga, não tinha caneta'', lembra rindo. E completa: ''Eu sou o que canto''.

Fonte: Contigo

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