quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os primeiros passos de Maria Gadú

Enquanto solta a voz de timbre grave, Maria Gadú se mostra bastante confortável. Mas o desespero é indisfarçável quando as músicas chegam ao fim e lança mão de ‘obrigados'' risonhos. Na flor dos seus 23 anos, a cantora reconhece que possui mais habilidade para estar no palco do que para falar.

De personalidade tímida, a violonista exibe ares de moleque que lembram a carioca Cássia Eller (1962-2001). Já, nas composições, aproxima-se um pouco da MPB de Marisa Monte. É o que se observa no seu DVD de estreia, Multishow Ao Vivo Maria Gadú (22 faixas, R$ 34,90, Som Livre).

O recente trabalho também pode ser encontrado nas lojas em kit premium, que oferece conteúdo completo em áudio e vídeo (um DVD e dois CDs), disposto em embalagem especial, além de miolo com fotos, letras e agradecimentos.

Gravado em julho, o lançamento reforça o que a jovem paulistana - grata surpresa de 2009 entre inúmeras cantoras - tem mostrado em shows pelo País: um talento inegável como intérprete.

Gadú revisita a plenos pulmões o primeiro álbum, homônimo, praticamente na íntegra, entre músicas autorais, casos de Dona Cila, Bela Flor, Shimbalaiê (primeiro sucesso, presente na trilha da novela Viver a Vida, da Rede Globo), Lounge e Altar Particular, e regravações, a exemplo de Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel) e A História de Lily Braun (Chico Buarque e Edu Lobo).

Como as 13 faixas de estreia não sustentariam o DVD, Gadú lança mão de outras releituras. Imprime nova roupagem a clássicos da música brasileira e internacional, como Trem das Onze (Adoniran Barbosa), You Know I''m No Good (Amy Winehouse) e Lanterna dos Afogados (Herbert Vianna).

Tratam-se de sucessos que a jovem de sorriso largo cantava em barzinhos do Rio, época em que não tinha bons equipamentos para trabalhar.

Completam o repertório temas de parceiros de geração, que têm participações no DVD, dirigido pela já veterana Joana Mazzucchelli. Entre as inéditas, Paracuti (Luis Murá e Maria Gadú), Aurora (Dani Black), Quando Fui Chuva (Luis Kiari e Caio Soh) e João de Barro (Leandro Léo e Rafael Portugal).

Diante de 7.000 pessoas, ela obteve resposta imediata do público, que cantava uníssono. No palco, foi acompanhada por Cesinha (bateria), Gastão Villeroy (baixo), Fernando Caneca (guitarra), Doga (percussão) e Maycon (teclados).

É, não é para menos que Maria Gadú conquistou o endosso de ícones como Milton Nascimento, fã incondicional declarado, e Caetano Veloso, com quem já dividiu palco.

Fonte: DiáriodoGrandeABC

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