sábado, 19 de fevereiro de 2011

Maria Gadú, uma precoce arteira

Perguntada se acredita ser uma artista precoce, Maria Gadú lança jogo de palavras: "Sou uma precoce arteira". E emenda: "Eu me apaixonei cedo pela arte".

É nesse tom bem-humorado que a precoce arteira Maria Gadú concede entrevista ao Diário  na semana que antecede a única apresentação em São Bernardo. A cantora paulistana de MPB exibirá sucessos (entre releituras e canções autobiográficas que soam como desabafo) no Espaço Lux, no próximo sábado (dia 26), a partir das 22h. Ingressos da pista já estão esgotados. Camarote custa R$ 100.

Antes de completar 10 anos, Gadú compôs "Shimbalaiê". Sentada em uma pedra, comtemplando a Praia de Aventureiro, na Ilha Grande (RJ), criou letra e melodia da música que seria o primeiro sucesso, parte da trilha sonora de "Viver a Vida", novela de Manoel Carlos.

Aos 24 anos, a jovem simpática confessa que levou tempo para fazer as pazes com a canção de estreia. "Não ia com a cara. Não tinha uma ligação afetiva. Depois, comecei a gostar. É normal", analisa.

O amor pela música foi tão natural que ela não consegue datar o começo de tudo. "Não foi uma ficha que caiu. Foi genuíno. Até hoje não tomei uma decisão", afirma. E exemplifica: "É como andar. Não lembro como dei o primeiro passo e ando até hoje".

Aos 13, quando começou a tocar em barzinhos com o apoio incondicional da mãe, Gadú já enfrentava a timidez. "Tinha contato com músicos mais experientes. Foi uma grande escola", recorda.

A vergonha será eterna companheira. É o que a própria garante. Mesmo cantando para milhares desde 2009, fica desconcertada quando precisa falar com o público no intervalo das músicas. "Há dias em que você se sente mais à vontade. Em outros, menos. Sempre foi assim", analisa. E completa: "Tem o lance da maturidade também, do crescimento. Você vai se despindo de certos pudores". Se a timidez, por acaso, a incomoda? "Não, é minha. Se incomodasse, eu estaria f... Eu a respeito".

Sagitariana, Gadú é também apaixonada pela rua. Ela é bem ''pego a mochila e vou''. Em 2007, viajou à Europa com o percussionista da banda, Doga. Foram quatro meses entre apresentações na Irlanda e na Itália. Decidiu, então, passar as férias de verão no Rio para rever alguns amigos, mas ficou até hoje . "Minha mãe nunca me reprimiu para viajar sozinha ou com amigos. Sempre tive a liberdade para andar pelos caminhos que escolhi. É mais personalidade do que impulsividade", aponta.

Em apresentações pelos bares do Rio, Maria Gadú chegava a se incomodar com a qualidade do som. "O equipamento era meu e eu não sabia mexer. O som ficava ruim. Não dava para levar técnico de som quando eu tocava sozinha. Foram dez anos assim", resume.

Plano é o que a cantora não curte fazer. Mesmo tocando em bares há longa data, nunca havia cogitado gravar disco até surgir o convite. "Nunca pensei. Não gosto de fazer planos. Você sonha e, se não acontecer, você sofre".

Para garantir bom trabalho, hoje a violonista busca foco para ser mais disciplinada e ter responsabilidade, além de sempre estudar. "Eu aprendo com gente da pesada. Na banda, tenho Cesinha na bateria, Gastão Villeroy no baixo, Fernando Caneca na guitarra e Doga na percussão. Pergunto tudo a eles", afirma.

Alguns anos depois de tocar na praça de alimentação de shopping andreense, Maria Gadú retornará ao Grande ABC, onde também visita para encontrar alguns amigos. De lá para cá, a sua rotina se transformou. "São muitas viagens, shows. Vejo menos a mãe, o cachorrinho, mas está ótimo", resume.

Maria Gadú - Música. No Espaço Lux - Rua Antonio Luiz Valério, 93, São Bernardo. Tel.: 4339-4903. No sábado (dia 26), às 22h. Ingr.: R$ 100 (somente camarote).

Fonte: DiáriodoGrandeABC

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