domingo, 17 de abril de 2011

Maria Gadú no Vivo Rio (Por: Mauro Ferreira)

Multishow ao Vivo' é retrato do inspirado momento inicial de Maria Gadú

Por: Mauro Ferreira do Blog Notas Musicais
Foto: Rodrigo Amaral

Maria Gadú ainda era uma promessa de sucesso quando estreou na pequena casa carioca Cinematheque, em 12 de abril de 2009, minitemporada de shows dominicais. Dois anos depois, o sucesso de Gadú é realidade vista raras vezes no diluído mercado fonográfico brasileiro da última década. E foi com o status de artista bem-sucedida e já famosa em escala nacional que a cantora e compositora paulista voltou aos palcos cariocas, em 15 de abril de 2011, para apresentar na casa Vivo Rio o espetáculo que originou o CD e DVD Multishow ao Vivo, postos nas lojas pela gravadora Som Livre em novembro de 2010. Azeitado, o show atual é o retrato ampliado e mais bem-acabado desse inspirado momento inicial da carreira de Gadú. Se na temporada de abril de 2009 a artista se apresentava em palco nu e precariamente iluminado, nos shows da turnê que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) dois anos depois daquela estreia seminal há o cenário hype de Zé Carratu e uma iluminação profissional. Contudo, permanecem inalterados a qualidade do repertório autoral da compositora e a simplicidade de uma cantora que conserva os mesmos amigos - fato atestado pela presença de Leandro Léo na temporada de 2009 e na atual turnê - e a mesma simpatia. O sucesso avassalador - conquistado já no segundo semestre de 2009 a partir do lançamento do álbum Maria Gadú e da consequente veiculação da canção Shimbalaiê na trilha sonora da novela Páginas da Vida - aparentemente não alterou o comportamento da artista no palco. Ainda é cedo para saber se Gadú vai permanecer em cena com tamanha popularidade. Somente um segundo álbum de estúdio - previsto para 2012 - vai indicar se a produção autoral da compositora tem qualidade em quantidade suficiente para prolongar esse sucesso. Por ora, o show em cartaz pelo Brasil atesta a inegável empatia popular desse repertório inicial. Todas as músicas do álbum são cantadas em coro pelo público. E, entre elas, há iguarias como o samba Altar Particular e a sensível Dona Cila, apresentada em cena com a exibição do clipe incluído nos extras do DVD. É fato que Shimbalaiê tocou tanto que enjoou - como também enjoaram os hits massivos de outros artistas. Mas é fato também que a canção tem sua beleza atemporal. Outra certeza evidente em cena é a maior segurança de Gadú como intérprete. Sua abordagem intensa de Lamento Sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil) é ponto alto do show e mostra que a cantora preserva sua identidade artística mesmo fora da seara autoral da compositora. Gadú nunca é óbvia quando investe em repertório alheio. Se o samba Filosofia (Noel Rosa) ganha pegada pop e citação de You Know I'm No Good (Amy Winehouse), Trem das Onze (Adoniram Barbosa) transita visceral por trilho mais pop e contemporâneo. O único momento mais trivial de Gadú como intérprete é quando entoa Quase sem Querer, uma daquelas canções da Legião Urbana que parecem definitivamente associadas à voz e à interpretação de Renato Russo (1960 - 1996). Enfim, Maria Gadú não é a maior cantora do Brasil - como gritou seu público em coro no fim da apresentação do Vivo Rio mas é intérprete tão sedutora e sagaz que pode vir a se escorar em sua voz, caso sua produção como compositora caia quantativa e qualitativamente por conta da rotina estressante das turnês. Ou mesmo da falta de inspiração. Mas o futuro de Maria Gadú a Deus pertence. Por enquanto, a artista vive momento especial e colhe os frutos desse início consagrador ao apresentar seu belo show em palcos que já não são iluminados apenas por seu talento, carisma, simplicidade e luz.

Gadú recebe Moska em seu 'altar particular' na volta aos palcos cariocas

Foto: Rodrigo Amaral
 Moska não faz parte do time de convidados recebidos por Maria Gadú na gravação do CD e DVD Multishow ao Vivo. Por isso mesmo, sua participação no show que lotou a casa Vivo Rio na noite de 15 de abril de 2011 foi a surpresa da apresentação. Em sua volta aos palcos do Rio de Janeiro (RJ), Gadú convocou Moska para cantar com ela o samba Altar Particular, destaque do álbum de estreia da cantora. Na sequência, Gadú e Moska harmonizaram lindamente suas vozes em Oh my Love, my Love (canção de Kevin Johansen), reeditando o dueto que fizeram em Muito, um dos dois discos lançados por Moska em 2010.

No Rio, Gadú e Leandro Léo recheiam 'Laranja' com o rap dos Mamonas 

Foto: Rodrigo Amaral

Já habituado a dividir o palco com Maria Gadú desde antes da cantora fazer sucesso, Leandro Léo tem presença destacada no show da turnê Multishow ao Vivo, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 15 de abril de 2011 em azeitada apresentação única na casa Vivo Rio. Além do costumeiro dueto em Linda Rosa (Gugu Peixoto e Luis Kiari), Léo teve direito a um número solo, João de Barro (Leandro Léo e Rafael Portugal), tal como no DVD editado em 2010 pela Som Livre. Mas a surpresa veio no bis, quando Gadú e Léo  rechearam a funkeada Laranja (Maria Gadú) com o rap 1046, tema jocoso que em 1996 abriu o primeiro e único álbum de estúdio do efêmero grupo paulista Mamonas Assassinas. Inusitado!

Gadú incorpora 'Lamento Sertanejo' ao roteiro de seu 'Multishow ao Vivo' 

Foto: Rodrigo Amaral
 
Tema de Dominguinhos, lançado pelo compositor em 1973 em registro instrumental do álbum Tudo Azul e letrado na sequência por Gilberto Gil, Lamento Sertanejo tem sido a novidade do roteiro da turnê nacional que promove o CD e DVD Multishow ao Vivo, editados por Maria Gadú no fim de 2010. A cantora já vem interpretando com intensidade a toada - popularizada a partir da gravação feita por Gil no álbum Refazenda (1975) - nas últimas apresentações do show. E, a julgar pela apresentação que lotou a casa Vivo Rio (RJ) em 15 de abril de 2011, Lamento Sertanejo cai muito bem no tom elétrico de Gadú e está se tornando um dos pontos mais altos do show, reiterando que Gadú é intérprete sagaz.

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