quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Fiquei impressionada por ela falar tão bem a nossa língua", diz Gadú sobre a Rainha da Suécia

Foto: Divulgação e Ag. News

O Theatro Municipal viveu terça-feira uma noite para palácio nenhum botar defeito. No palco, reis e rainhas da MPB como Caetano Veloso, Milton Nascimento e Maria Bethânia, além de Ana Botafogo, a rainha das sapatilhas e primeira-bailarina da casa. Na plateia, a Rainha Silvia
da Suécia, que promovia o espetáculo de sua ONG Childhood Brasil, que combate a violência contra a infância.

Toda trabalhada num brilho fora do habitual, com calça de couro e sapato Oxford dourado — quem diria! — Maria Gadú não tinha ideia de que estava sintonizadíssima com a Rainha. A cantora, umas das atrações do evento, escolheu um paetê espalhafatoso. Já Sua Majestade, bem mais discreta, optou por um vestido até os joelhos. Mas também era brilhoso, e tinha um decote V, chiquérrimo.

Já nos primeiros acordes, as duas logo mostraram que a sintonia era enorme, mesmo sem nunca terem sido apresentadas. Gadú cantarolava e a Rainha sacudia os ombrinhos, num sinal claro de que, mais do que o modelito, o sangue brasileiro as aproximava ainda mais.

Se o look da Majestade já era de babar, o que dizer das capotantes joias? A pedra do colar tinha o mesmo tom púrpura da roupa. Os brincos bem que poderiam fazer parte da iluminação do espetáculo, de tão reluzentes. Quando ela chegou, chovia forte e ventava muito. Mesmo assim, detalhe, o cabelo permaneceu impecável. Ao subir as escadas do Municipal, acompanhada do governador Sérgio Cabral e da primeira-dama, Adriana Ancelmo, fez questão de agradecer ao funcionário que segurava o guarda-chuva: “Muito obrigada, querido”, disse, em bom português.

Filha de uma brasileira com um alemão, Silvia viveu parte da infância e da adolescência em São Paulo, daí o português fluente. Para muitos, uma surpresa. A própria Gadú confessou: “Fiquei impressionada por ela falar tão bem a nossa língua. Pode parecer ignorância, mas não sabia que ela tinha um português tão perfeito”, disse. Em seguida, outra confissão: “Pela primeira vez estou usando paetê. Quis ficar chique para conhecê-la. Pinica um pouco, mas faz o maior efeito”, completou a cantora, toda trabalhada no brilho.

Do foyer, onde posou para fotos e foi recebida pela diretora do teatro, Carla Camurati, a Rainha seguiu para uma sala reservada, e lá ficou até o início do espetáculo. Apareceu no balcão nobre somente quando as luzes já estavam apagadas. Ao seu lado, a best friend Rosana Camargo de Arruda Botelho, presidente do conselho da Childhood e herdeira do grupo Camargo Corrêa, acompanhada do marido, o empresário Fernando de Arruda Botelho — o casal foi um dos poucos a dividir o espaço com ela. Sua Majestade hospeda-se na casa carioca de Rosana, de quem é amiga há 12 anos.

O cantor Rodrigo Costa, do ‘Nós do Morro’, de oito anos e seguríssimo de si, abriu os trabalhos com ‘Adota Eu’, acompanhado do Olodum Mirim. Em seguida, Gadú atacou de ‘Divino Maravilhoso’. Depois, vieram Caetano e Djavan.
Milton Nascimento, Sandy, Sandra de Sá e Seu Jorge também participaram, mas coube à ‘abelha rainha’ Maria Bethânia encerrar a apresentação ao som de ‘O que é, o que é’. A Rainha, novamente, balançou os ombrinhos, mostrando ser grande fã da nossa música .

Depois do show ela fez questão de agradecer aos artistas que se apresentaram. O beija-mão durou mais de uma hora e rolou uma quebra de protocolo geral. Ninguém sabia se podia abraçar, beijar ou mesmo tocá-la. Sem afetação, ela atendeu a todos calorosamente, embora em meio a um esquema de segurança severo. Para Caetano, ela disse ser fã do cantor e contou que, inclusive, já esteve na plateia de um de seus shows na Europa. Paula Lavigne, que estava captando imagens para um programa da Globosat, apresentou Bethânia à Rainha: “Esta é a Majestade”, disse apontando para a cantora. Nessa hora, a Rainha pediu para fazer uma foto ao lado dos filhos de Dona Canô. “A Rainha no meio”, insistiu Bethânia.

A noite era de realeza, mas os cariocas que compraram os ingressos, reis e rainhas da solidariedade, lotaram o espaço e não ligaram muito para o dress code que o imponente teatro pede. Mesmo com o frio na cidade, a mulherada foi bem à vontade, muitas de calça jeans e roupas cotidianas, tipo ‘saí do trabalho e emendei’. Os homens estavam mais arrumadinhos e muitos usavam o seguro terno e gravata, mas tinha de um tudo, até um piloto de avião com seu uniforme.

Quando chegou ao Municipal, a Rainha causou um certo tumulto e posou para fotos, ainda no hall. Mas, como manda o protocolo, não deu entrevistas e foi direto para a tal sala reservada. O público, inquieto, às 21h30 — o espetáculo estava marcado para meia hora antes — já tinha batido palmas quatro vezes para acelerar o início, as últimas com direito a vaias. Mas não foi culpa da Rainha não, viu — ela chegou pontualmente às 20h30, como era previsto.

O nome de Patrícia Pillar não estava no roteiro entregue na entrada do evento. “É que ela fez um institucional, agradecendo aos patrocinadores”, explicou a diretora do show, Monique Gardenberg. Mas a atriz apareceu arrebatadora num vestido longo vermelho, com decote na medida, arrancando suspiros e ‘fius-fius’ do público, que ficou hipnotizado enquanto ela falava, um por um, o nome dos cooperadores e apoiadores.

E eis que entra Sandy com toda sua candura nada devassa num vestido longo de renda nude, bem ao estilo princesa, acompanhada do pianista Marcelo Bratke e da dupla Ana Botafogo e Thiago Soares, um dos sete primeiros-bailarinos do consagrado Royal Ballet, de Londres, interpretando ‘Melodia Sentimental’. Depois da apresentação, Sandy foi para o cercadinho vip — duas filas de cadeiras de frente para o palco, onde normalmente fica o fosso da orquestra — ao lado da mãe, Noely Lima, que, de máquina fotográfica em punho, registrava tudo.

Pouco antes de o show começar, uma fotógrafa, aos berros, pede: “Silvia, Silvia, faz uma foto pra mim?”. Foi uma correria danada e um batalhão de paparazzi saiu em disparada em busca da tal Silvia que estava posando na frente do palco. Mas não era a Rainha e sim a atriz e cantora, rainha dos palcos, Silvia Massari. “Me assustei com tanto fotógrafo em volta”, disse ela... É dura a vida da bailarina. Beijo, me liga, até amanhã.

Fonte: Odia

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