sábado, 14 de maio de 2011

Gosto muito de te ver, Gaduzinha

Tem muito fã de Caetano Veloso que não conhece ou não se interessa por Maria Gadú. Mas é fácil supor que todo fã de Gadú tenha Caetano na estante. A esses, especialmente, agradam o CD duplo e o DVD da série Multishow ao Vivo de registro do fim da turnê do veterano e da iniciante, a duas vozes e dois violões, que saem agora pela Universal.

Foto: Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE
O primeiro DVD de Gadú tem apenas sete meses, o que torna desnecessárias gravações de faixas como Bela Flor, Dona Cila e A História de Lilly Braun. Ainda assim, o lançamento vale por outros momentos, como os da dupla dividindo greatest hits do baiano como Beleza Pura, O Leãozinho, Odara, Menino do Rio... Na última terça-feira, a entrevista ao Estado da dupla foi marcada por abraços e elogios melosos. Algo parecido com o que o público viu nos shows e que também está nos extras do DVD. O canal Multishow exibe o especial dia 22, às 23 horas.

Por que a opção só por "lados A" no repertório? 
Caetano - É natural e adequado que as canções mais conhecidas predominem porque a Gadú sabia cantá-las e porque ela é o mais nítido fenômeno de popularidade da geração dela. Então, o assunto de as canções serem populares é central nesse show.

Como vocês escolheram esse repertório? 
Gadú - A que eu mais queria cantar era O Quereres. Eu brinco que cheguei à casa do Caetano para conversar e disse: "Oi, boa noite, vamos cantar O Quereres?"

Gadú, você que ficava tão nervosa, já se acostumou com a presença de Caetano no palco? 
Gadú - Não, nada. É diferente estar com o Caetano aqui, agora, que a gente tem um outro lugar de intimidade. No palco, dou uma assustada. Tenho uma preocupação muito grande de não errar. Aí eu tô ali concentrada naquela energia da música do Caetano, e, quando eu olho, é o Caetano.

O que vocês acharam do público de vocês dois juntos? 
Caetano - Eu gostei muito das plateias, eram bem Gadú.
Gadú - Eu não acho. Eles me conheceram muito depois de conhecerem e gostarem de você. Então acho que eram mais Caetano. Eu me vejo na plateia.

Os violões de vocês são muito diferentes: Caetano é mais direto, Gadú floreia. Como se complementam no palco?
Caetano - São completamente diferentes... Eu toco muito menos do que ela.
Gadú - O floreio era pela necessidade de ter que se acompanhar (quando cantava em barzinhos).

Você elogia a cantora; o que diz da Gadú compositora? 
Caetano - Assistindo ao show dela, a impressão que me deu foi de uma pessoa com vocação legítima para música. Todas as canções são muito inspiradas. A perspectiva é totalmente brasileira. Percebi imediatamente que ela tinha tido uma atenção especial à Marisa Monte. E não errei, ela confirmou logo.

Você acha que é o único da sua geração que dialoga com os mais jovens? 
Caetano - Eu tenho interesse por música popular desde menino. Fui ver Gadú cantar, como fui ver Tiê, Os Outros, Jonas Sá, um tempo antes fui ver Mart"nália... Agora fui ver Leo Cavalcanti, gostei muito, e também do Thiago Pethit.
Gadú - Outro dia a gente se falou e ele estava indo ao show do Mano Brown.

O que Gadú tirou da convivência com Caetano e vice-versa?
 Gadú - Muita coisa. Mais do que o lance prático: o interesse dele pelo que está acontecendo, por muitos assuntos.
Caetano - Aprendi muito com ela a ter intimidade com esse tratamento da música na hora de fazer. Eu me senti muito encorajado. 

Fonte: Estadão

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