quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Brasil mergulhado na GADÚ-MANIA !


A cantora desde que apareceu na mídia é alvo de críticas. Para uns, ela é apenas um “sucesso passageiro” enquanto que para outros ela “é a mais nova sensação da MPB”. Gadu já foi comparada com guerreiras da MPB como Cássia Eller, Zélia Duncan, Marisa Monte e Ana Carolina. Mas a jovem, de estilo próprio e característico, rebate as críticas feitas pela imprensa brasileira. “Adoro a Cássia Eller, mas não sou a reencarnação dela, até porque quando ela faleceu eu já estava viva. (risos) Eu a acho simpática e insubstituível. Não tem essa de ser a nova Cássia Eller. Ninguém é o novo ninguém, só ela poderia se renovar, como fez ao longo de toda a carreira”.

As opiniões sobre Maria Gadú se dividem entre artistas nacionais, produtores, artistas locais, e fãs. O produtor musical Carlos Miranda, jurado do programa Qual É o Seu Talento?, do SBT, em entrevista para o site “O Fuxico” disse que Gadu é uma ‘cantora de barzinho’  mas que ela não tem culpa disso. “Não tenho nada contra ela, tenho contra esse mercado que está totalmente sucateado. Porque ela, coitada, faz as coisas do jeito dela e, com certeza, vai se desenvolver com o tempo” declara o produtor.

Para o músico e jornalista Edson Leão, 44 anos, integrante das bandas Eminência Parda, Fantástica Banda Invisível e Sambavesso na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, o que mais chama a atenção na cantora é “a naturalidade e autenticidade com que ela se apresenta no palco e a maneira como ela parece se relacionar com o sucesso, sem aparentes estrelismos”.

Leão teve o prazer de dividir o palco com Gadú durante um show e pode conhecer de perto o trabalho da cantora. Na época, ele já havia escutado falar sobre ela, “mas só fui tomar um contato real com seu trabalho quando um dos grupos dos quais faço parte (Sambavesso) foi chamado para dividir a noite com a cantora. Assim pude além de conferir o seu trabalho ao vivo, ter a honra de contar com sua participação generosa (e de improviso) em nosso show, o que me ajudou a reforçar a imagem positiva sobre o lado humano da artista que parece ser um dos fatores do seu sucesso” ressalta o músico.

Edson ainda observa que “ela é, sem dúvida, muito musical, mas, sem diminuir o valor artístico da cantora, não podemos deixar de creditar o rápido reconhecimento ao fato do seu talento ter sido apresentado à indústria fonográfica por uma grande gravadora”. Segundo ele, esse contato com canais de divulgação retira oportunidades de várias cantoras igualmente competentes, de personalidades marcantes, carismáticas e com muito mais tempo de estrada. “É algo a se lamentar, por demonstrar que apesar das mudanças que a Internet proporcionou, a consagração popular ainda passa pelo aval da grande indústria”. E conclui: “eu acho que a 

Gadú é uma figura que tem tudo para ousar mais esteticamente e levar a um público mais amplo, formas menos óbvias de se fazer música, isso é algo que está em falta hoje no mercado, artistas que conjuguem popularidade e ousadia”.

Já a secretária e estudante de jornalismo Érika Faustino, 30 anos, fã de Gadu, acredita que a jovem cantora tem um estilo próprio e é bem diferente das demais cantoras do gênero. Para ela, “Maria Gadú nasceu com o dom de escrever. Com certeza sua imaginação é infinita, pois é uma cantora magnífica com uma linda voz e belas composições e com um jeito de ser muito humilde”.

 “Não sou assim. Não uso drogas, não fico doidona na rua”

Sempre alvo de polêmica sobre sua sexualidade, em entrevista para a coluna Ego do site globo.com, Maria Gadu rebate as críticas de “pegadeira”. "Ao contrário do que parece, mesmo sendo artista, sou uma pessoa muito tímida e meio caipirona. Acho graça com toda essa história de que estou namorando várias pessoas ao mesmo tempo. As meninas que aparecem são todas minhas amigas e isso é normal. Acho que estou bem na fita, né?", comentou Gadú.

Em tom de humor, nega o romance com a cantora Luiza Possi, filha de Zizi Possi. "É complicado uma amizade entre duas meninas, sendo que tenho essa cara", riu. "Tenho vários amigos homens, mas ninguém diria que estou ficando com o Dado, por exemplo".

Confira agora os melhores trechos de uma polêmica entrevista com Maria Gadu realizada dia 03 de dezembro de 2010, pelo repórter Pedro Antunes da Agência Estado (AE) em São Paulo. Ela fala sobre a carreira e sobre sexualidade.

AE – Seus amigos chamam você por Má, de Mayra, seu verdadeiro nome. Por que virou Maria?
Maria Gadú – Ah, porque o nome quem deu foi meu pai. Não foi uma escolha minha. Acho que todo mundo tem o livre arbítrio de escolher o próprio nome. Sou contra essa de o pai dar um nome, e você ter de conviver com ele a vida inteira.

AE – Fãs suas imitam até seu estilo de vestir. Tem essa preocupação de não se expor?
Maria Gadú – Não sou assim. Não uso drogas, não fico doidona na rua, não bebo, não caio, não brigo.

AE – Quem são teus ídolos?
Maria Gadú – Todos. Gosto de música.

AE – De Lady Gaga a Lou Reed?
Maria Gadú – Lady Gaga eu não gosto muito. Não gosto das letras. Não acho que muda minha vida, não. Mas eu gosto de Calypso, de Belo...

AE – E quando conheceu o trabalho de Marisa Monte?
Maria Gadú – Ouvia as músicas da minha avó, clássica e Nelson Gonçalves. Com a minha mãe, era Maria Bethânia, Chico... Ouvia também Sandy & Júnior. Conheci a Marisa Monte aos 11 anos. E me apaixonei.

AE – Você já tinha o cabelo curto?
Maria Gadú – Velho, tive todos os cabelos que você pode imaginar: dread, rastafari, pintei de rosa, laranja, azul. Curto, longo. Raspei três vezes.

AE – É comum as pessoas ligarem o seu nome ao tema da homossexualidade? Isso lhe irrita?
Maria Gadú – Não

AE – O que você fala sobre o assunto?
Maria Gadú – Eu não falo nada. Só digo: “Por que você precisa saber? Está dando em cima de mim?” (risos). Mas normalmente as pessoas não me perguntam esse tipo de coisa.

AE – Você tem problemas em dizer se é ou não homossexual?
Maria Gadú – Isso não é um ponto principal. Não é um marco para mim, nem tem que ser para ninguém. Eu gosto de pessoas, velho! Não tenho preconceito com nada. Eu sou muito livre. Respeito muito o tempo. Não preciso pontuar isso para ninguém, porque eu não pontuo para mim. Entende? É por isso que eu não tenho o que responder sobre esse assunto.

AE – E filhos? Tem vontade de ter?
Maria Gadú – Ah, eu tenho. Não sei quando, nem em que circunstância. Acho a coisa do cuidar do outro sagrada.

AE – Você canta algumas músicas em francês. Sabe falar a língua?
Maria Gadú – Um pouco. Meu pai é francês. O Marc (pai de consideração).

AE – É dele o sobrenome Aygadoux. Como mudou para Gadú?
Maria Gadú – Ninguém sabe como escreve essa porra, velho! É uma coisa muito da fonética francesa. De uma mistura do latim com alguma coisa. Gadú é mais simples.

Ainda grávida, Dona Neusa já buscava uma escola de música para a filha estudar quando crescesse. E foi na Escola Municipal de Educação Artística da Prefeitura de São Paulo que Gadu deu seus primeiros passos na arte musical. Mas não permaneceu por muito tempo nessa escola pois ela, por si só, estudou sua própria voz e criou sua própria técnica, não ficando presa a métodos formais de música. Através de livros de estudos vocais de jazz e soul, sozinha, em frente ao espelho passou a estudar não só a arte de cantar mas também aprendeu a tocar violão e piano. E assim traçou o seu traço de personalidade de uma artista que ecoou pelo país.

Primeiros Passos

Certamente Mayra Corrêa Aygadoux, ou melhor Maria Gadú como é mais conhecida, já nasceu brilhando. Paulistana, moradora da Vila Mariana, teve uma criação diferenciada por sua mãe, Dona Neusa, que desde muito cedo descobriu o talento precoce da menina. Desde criança, Maria Gadu preferia estar ao lado da companhia dos adultos da casa onde morava do que de crianças de sua idade. E não era só isso: as músicas que ouviam chamavam-lhe atenção. E foi ouvindo, ao lado da mãe e da avó, as canções de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal Costa, Adoniran Barbosa, Dolores Duran e Carmen Miranda, que essa compositora e cantora teve oportunidade de iniciar sua formação artística em um laboratório musical no aconchego do lar.

As primeiras apresentações em público de Maria Gadu aconteceram ainda muito cedo. Aos quatro anos de idade, ao passear por um shopping, não perdeu tempo. Ao ver um músico largar o piano para fazer um intervalo, correu logo e sentou-se no banquinho como se estivesse chegado a sua vez e tocou um trecho de uma música de Chopin. A platéia, encantada com a pequena garota, perguntou a ela o que era aquilo e ela respondeu: “a música do gás”.

Aos oito anos, tocava piano e violão e convidava a prima para ser sua parceira na segunda voz das canções que queria gravar. A prima, que era leiga no assunto, seguia a voz de Gadu, que chorava de raiva e dizia: “não me imite, cante diferente!”.

Com 12 anos, usando a paradisíaca Ilha Grande, localizada no litoral sul do Rio de Janeiro, como inspiração compôs “Shimbalaiê”, MPB de levada afro, uma das músicas mais populares de seus shows, que carrega o verso: “quando mentir, for preciso, poder falar a verdade”.

Já na adolescência, após fazer escola ao tocar em barzinhos na capital paulista, Gadu vai para a Europa se apresentar com um amigo percussionista em festivais de música independente. Entre agosto e outubro de 2007, passou por países como Itália e Irlanda, sempre se apresentando em festivais, casas de shows e até nas ruas. No final desse ano, retorna ao país de origem para as festas de final de ano na casa da família em São Paulo, e resolve passar a virada do ano na casa de amigos no Rio de Janeiro. Não saiu mais da capital carioca por onde se apresentou em vários bares da Barra da Tijuca e na Zona Sul da cidade maravilhosa.

Com apenas 22 anos de idade, Gadu se prepara para lançar seu primeiro álbum.

A ascensão na carreira de Maria Gadu aconteceu quando passou a despertar a atenção de famosos do mundo musical como Milton Nascimento, João Donato, Caetano Veloso e outros. E foi com a interpretação de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel, encomendada especialmente pelo diretor Jayme Monjardim, que estava na fase de pré-produção da minissérie “Maysa – quando fala um coração” na Rede Globo de Televisão que Gadu conquistou de vez seu espaço na mídia, ao ter sua canção incluída na trilha sonora da minissérie que estreou em janeiro de 2009, além de participar como atriz do mesmo seriado.

No ano de 2009, com apenas 22 anos de idade, Gadu se prepara para lançar seu primeiro álbum pelo selo SLAP da gravadora Som Livre que teve produção assinada por Rodrigo Vidal. E logo depois iniciou uma grande temporada na Cinemathèque, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

Após o lançamento do cd, a cantora novamente foi destaque ao ter sua canção “Shimbalaiê” incluída na trilha sonora da novela “Viver a Vida” de Manoel Carlos, no horário nobre da Rede Globo. As canções “Ne me quitte pas” e “A história de Lilly Braun” foram regravadas e inseridas na trilha sonora da minissérie “Cinquentinha” de Aguinaldo Silva, também exibida pela Rede Globo.

Em janeiro de 2010, Gadu participou de um show com o cantor e compositor sueco-americano Eagle-Eye Cherry, realizado na Via Funchal em São Paulo. Este show foi o registro da gravação do DVD ao vivo do cantor, o que projetou a imagem de Maria Gadú para o mundo. Gadu também participou do show de gravação do CD e DVD do álbum “N9ve” da cantora Ana Carolina, interpretando a música “Mais que a mim”.
Parceiro inseparável de Gadu, Leandro Léo, amigo íntimo que não perde nenhum show, canta algumas canções com a cantora como “Laranja”, “Linda Rosa” e “A falta que falta faz”, mostrando o carinho que o artista tem pela cantora.

50 000 copias em tempos de pirataria

O ano de 2010 foi “o ano dos acontecimentos” para Maria Gadú. No dia 21 de fevereiro, Maria Gadu recebeu o “Disco de Ouro” pela vendagem de mais de 50 mil cópias do seu primeiro CD. Em tempos de pirataria, esse número superou a quantidade de vendas esperada.

Gadú participou com a apresentadora Xuxa no DVD “Xuxa só para baixinhos, volume 10”, cantando a música “Leãozinho” de Caetano Veloso.

Na faixa principal do filme “Sonhos Roubados”, Gadu fez sua participação emplacando o hit “Homônima” que foi utilizado para promover o filme.

As premiações e o reconhecimento do talento da jovem cantora veio com duas indicações ao “Grammy Latino” nas categorias “Melhor Artista Revelação” e “Melhor Álbum de Cantor/Compositor”. Recebeu o “Prêmio Multishow” de “Melhor Álbum” além de ter sido indicada à “Melhor Música”, “Melhor Cantora e Revelação”. Na mesma premiação se apresentou ao lado de Caetano Veloso.

Fonte: Micmag

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