domingo, 7 de agosto de 2011

Produtores musicais ajudam na carreira de artistas da MPB

"Você está louco?" Assim reagiu a então desconhecida Maria Gadú ao ouvir o produtor Rodrigo Vidal sugerir que ela gravasse Shimbalaiê. Para a artista, que se preparava para lançar o primeiro disco, estrear com uma canção composta aos 10 anos era infantil demais. "Disse que isso não importava. A música é boa", apostou Vidal, para a sorte dela. Justamente essa faixa de trabalho abriu caminho para Gadú no rádio, TV e internet. Por causa de Shimbalaiê ela caiu nas graças do público. Mas que fique claro: no disco de Gadú não está a canção dos tempos de criança. Ela só virou hit depois do toque de Vidal. "Aí vem a outra parte da história: chamei um time para tocar, gente que ela só conhecia de nome. A música tomou caminho bem diferente", explica.

A história de Rodrigo Vidal e Maria Gadú vem comprovar: apesar do crescimento do mercado independente, com ampliação das ferramentas para lapidar canções, e da enorme quantidade de informação circulando na rede, o produtor musical faz a diferença no resultado de um disco. Ou até mesmo de uma carreira.

Assim como a geração de artistas se renova, o mesmo ocorre com esses "magos". Guardadas as devidas proporções, Vidal é hoje para Maria Gadú o que Nelson Motta foi para Marisa Monte, Carlos Imperial para Roberto Carlos, Roberto Menescal para Nara Leão. E por aí vai.

"Produtor é alguém que ajuda a dar o olhar externo. É quem chega e fala: "Já vi você cantando isso aqui melhor, vamos fazer de novo?", comenta Kassin, um dos nomes mais badalados da atual safra da MPB. Mesmo lançando Sonhando devagar, seu disco autoral, ele assume: produção é o que lhe toma mais tempo. Atualmente em estúdio com a banda Nação Zumbi, Kassin foi produtor de Caetano Veloso, Los Hermanos, Vanessa da Mata, Ana Carolina, Jorge Mautner, Mallu Magalhães e Thaís Gulin, entre muitos outros.

"Virei produtor porque sempre tive relação especial com o disco. Gosto de ouvir. Com isso, consegui achar estéticas novas para determinadas carreiras ou dar frescor a outras", acredita Kassin. Com ouvido apurado, antenado para o que há de novo no mercado, o produtor musical tem múltiplas funções nos bastidores da criação de um CD. Além de coordenar o processo de gravação, auxilia o artista a selecionar repertório e a escolher arranjos. Sobretudo, tem a obrigação de ser a voz da sinceridade, mesmo se isso ferir egos. "Muitas vezes você tem que falar: "Cara, esse tom não dá para você. Sua voz fica feia", conta Kassin.

Foi o que ocorreu com uma das faixas do próximo disco da Nação Zumbi. Produzindo o CD em parceria com o sócio Berna Ceppas, Kassin não se intimidou com o talento dos pernambucanos e interrompeu a gravação. "Não compreendia absolutamente nada do que Jorge du Peixe cantava. Aí falei: "Gente, nessa hora fica tudo grave, não dá para entender. Aumentamos o tom da música e resolvemos. Muitas vezes, a coisa bem simples muda o caminho", diz.

Com quatro discos em parceria com a cantora Roberta Sá, trabalhos com a mineira Regina Souza e a carioca Fernanda Abreu, além de incursões pelo pagode com a banda Jeito Moleque, Rodrigo Campello defende limites na relação entre produtor e artista. "Acho romântica essa coisa de criação livre. De certa forma, o músico está tentando entrar no mercado por uma porta que considera mais adequada e conta com a nossa ajuda para isso. Controle é algo positivo neste processo", defende.

Na atual agenda de Rodrigo Vidal estão Maria Gadú, Monique Kessous e Ivan Lins. "O lance é tentar entender o músico e apresentá-lo da forma mais adequada possível. É preciso tomar cuidado para não mudar a personalidade dele", recomenda. "Essa troca foi fundamental para que meu disco fluísse de um jeito espontâneo, natural e fruto de parceria de verdade. O produtor realmente se propôs a entrar em meu universo musical", elogia Monique Kessous.

Prestes a gravar o próximo CD de Roberta Sá, Rodrigo Campello também trabalha com o grupo de samba Casuarina. "Vai ser um disco autoral, eles são arranjadores muito bons. Nesse trabalho, só toquei um instrumento, não fiz arranjos", diz. Para Campello, produzir um álbum é, sobretudo, alinhavar ideias que representem o momento do artista.

Na concepção de Kassin, a função desse profissional é realizar o disco da melhor maneira possível, considerando todos os fatores que envolvem a produção da obra. "Conta a qualidade do repertório, o artista envolvido, os músicos e também o dinheiro que poderá ser gasto", detalha. "Produzir é pensar junto, porque na verdade ninguém sabe o que é o melhor", resume Rodrigo Vidal.

Fonte: Uai

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