quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lenine, Maria Gadú e outros contam quem influenciou suas carreiras

Por: Marcus Preto
"Eu me reconheço aqui!" Ao mesmo tempo em que dizia a frase, Lenine lançava o polegar na direção dos cinco novatos no palco. "Eu faço parte desse negócio!"

Aconteceu em junho, no Auditório Ibirapuera (SP). Lotação esgotada para as gravações do DVD do grupo 5 a Seco --projeto que reúne Pedro Viáfora, Pedro Altério, Tó Brandileone, Vinicius Calderoni e Leo Bianchini.

Lenine está certo: faz parte do negócio. Tanto quanto seus colegas de geração: Chico César, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Marisa Monte, Paulinho Moska e Cássia Eller.

Com carreiras individuais correndo em paralelo ao grupo, os cinco do 5 a Seco fazem parte de uma novíssima cena na música brasileira.

São artistas que, fechado o ciclo de duas décadas que nos separam dos anos 1990, bebem diretamente na música deste passado recente.

O mesmo vale para Dani Black, filho da cantora Tetê Espíndola e do músico Arnaldo Black (de "Escrito nas Estrelas"), que já integrou o 5 a Seco e lança CD de estreia no mês que vem (leia ao lado). Vale para o cuiabano Paulo Monarco. E para os paulistas Leo Cavalcanti e Maria Gadú.

Foto: Luiza Sigulem/Folhapress

Mais famosa da geração até agora, Gadú é a porta-bandeira da turma. Faz a ponte entre os meninos e a indústria, contracenando com eles em discos ou em shows.

Frequentemente comparada a Marisa Monte (pelo timbre e maneira de cantar) e a Cássia Eller (pelo visual e postura cênica), ela afirma que a proximidade entre os meninos dos 2010 e os veteranos dos 1990 se dá pela bagagem afetiva da infância.

"[A geração 90] foi a primeira que a gente viu acontecer", diz. "Éramos crianças e ouvíamos aquilo em casa, acompanhávamos os primeiros shows. Víamos esses artistas enquanto crescíamos."

Black concorda. Sua relação com a música dos 1990 tem a ver com a infância.

"O que você quer ser quando crescer? Eu queria ser o Chico César e o Romário", diz. "Tinha sete anos, era a Copa de 94, do Romário, e o lançamento do CD 'Aos Vivos', do Chico. Aquela 'aula prática' de voz e violão foi direto no meu coração de criança."

"Dani parece se sentir muito confortável com as sonoridades misturadas dos anos 90", reconhece-se nele Zélia Duncan, com quem o rapaz já tem canções em parceria.

VIOLÃO

Se Gadú se aproxima de suas matrizes dos 1990 por semelhanças vocais, o que liga as duas pontas, no caso dos meninos, é, sobretudo, a maneira de lidar com o violão, tocado de maneira mais percussiva. Lenine é o modelo.

"Não é um desprezo pelas melodias --todo mundo ama o McCartney, o Steve Wonder e o Chico Buarque", diz Calderoni. "Mas é uma música que fez do violão seu trampolim. Um violão elaborado harmonicamente. Mas é a coisa rítmica que salta logo na primeira audição."

Para Kassin, 36, principal produtor da geração 2000 --uma antes da de Black e companhia, portanto--, trata-se de um revezamento natural.

"Tudo acontece em ciclos. São ondas de afirmação e negação, em que uma geração contraria a anterior", diz. "Se uma década é mais melódica, a seguinte tende a ser mais rítmica."

Música é matemática.

Fonte: Folha

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