sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Caetano Veloso e Maria Gadú no Pavilhão Atlântico: Cantar o sol à chuva

Foto: Duarte Reis
Caetano Veloso e Maria Gadú trouxeram a Portugal a harmonia que os levou a unirem-se em palco perante um Pavilhão Atlântico praticamente cheio. Entre olhares cúmplices e muitos abraços felizes, deram a Lisboa o sol que Novembro precisava. 

"Beleza Pura" abriu o concerto da dupla e a intensidade dos primeiros aplausos não engana, o público sabe bem ao que veio e já está conquistado. Ao fim da primeira música, Caetano deixa Maria Gadú em palco, sozinha, sorridente e de chapéu na cabeça, com aquele ar inconfundível de "moleque" que o músico falou. Só de viola na mão, Gadú arranca com "Bela Flor", seguida de "Encontro" e ouvem-se os primeiros elogios gritados, como um "Lindinha!" a plenos pulmões. A cantora segue com "Tudo Diferente" reconhecido aos primeiros acordes e cantado por muitos. Gadú não fala muito, só agradece, mas sorri com o rosto todo numa felicidade genuína e contagiante. A versão de "Amor Índio", original de Beto Guedes foi um dos momentos mais bonitos da cantora, que arrepiou a cada subida de tom. 

Gadú mostrou-nos ainda uma nova música, que faz parte da banda-sonora do filme "Teus Olhos Meus" e cantou sozinha "Podres Poderes", original de Caetano Veloso, enchendo a sala com a voz e a guitarra, sem deixar ficar mal a força da letra. 

Caetano já tinha sido chamado pelo público e fez a vontade, subindo ao palco para "Quereres" e "Sampa" cantados em dueto cúmplice, antes de ser Gadú a deixar o músico sozinho. "Milagres do Povo", "Cajuína", ou "Odeio" foram alguns dos temas tocados à meia-luz perante uma plateia generosa, mas "Desde que o Samba é assim" foi levado à letra e um Atlântico a uma voz mandou "a tristeza embora". Sem falar muito, Caetano vai agradecendo e avança com "Sozinho", naquele que foi o momento mais emocionante da noite, podemos jurar que não houve ninguém que não o cantasse. 

Já com Maria Gadú em palco, Caetano Veloso interpretou o maior êxito da cantora, "Shimbalaê", a solo, perante uma Gadú a olhá-lo embevecida e um público que cantou o tema de cor. O clássico "Trem das Onze", os êxitos de "Leãozinho", ou "Vai Levando" e "Menino do Rio" já no encore foram cantados pelos dois em harmonia perfeita. No final, o público de pé pedia mais e recebeu. Caetano e Gadú voltaram ao palco para um segundo encore, já com muita gente que parou a meio do caminho para a saída, e a cantora dedicou uma música a Caetano Veloso, explicando que por vezes não acreditava no que estava a viver.
Caetano emocionou-se, fica sem palavras e canta "Qualquer coisa" já com as luzes do Pavilhão acesas, em ambiente perfeito para acabar um concerto que deixou o sol a brilhar em noite de chuva.

Fonte: www.myway.pt

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