segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Show de Caetano Veloso e Maria Gadú foi aplaudido por 2.900 espectadores

Foto: Kléber Lima
Nem arroubos, muito menos histeria. No show que fizeram na noite de sábado, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Caetano Veloso e Maria Gadú ganharam aplausos, coros tímidos em algumas canções e ouviram gritos e assobios parcimoniosos, vindos principalmente das últimas fileiras da plateia. Nada parecido, porém, com a tietagem explícita, observada em outras apresentações dos dois na cidade.

Essa reação, certamente, teve a ver com a predominância de adultos no público— de 2.900 espectadores, segundo a produção —, formado, na maioria, por casais trintões, quarentões e cinquentões. A presença de adolescentes, representantes da faixa etária que costuma acompanhar Gadú, foi mínima. Isso se deve, em parte, ao elevado preço dos ingressos, entre R$ 90 e R$ 250 (valores referentes à meia-entrada), mas, também, ao fato de a cantora ter estado no mesmo palco há menos de quatro meses.

Com o atraso de meia hora, Caetano e Gadú surgiram em cena às 22h30, se abraçaram e se beijaram antes de abrir o show cantando o reggae Beleza pura, que o compositor baiano fez para o grupo pop A Cor do Som, no começo da década de 1980. No meio do palco, um imenso globo branco contracenava com telão gigantesco, nos quais, durante o espetáculo, com sutileza, jogos de luz propunham clima para as canções interpretadas.
v Sozinha com seu violão, Gadú fez um set de cinco músicas autorais, que incluiu Bela flor, Encontro, Escudos, além de Tudo diferente (André Carvalho) e Podres poderes (Caetano Veloso). Essa última levou os fãs a aplaudi-la de forma mais calorosa do que nas anteriores. Aliás, por conta desse projeto, os jovens seguidores da cantora, acabaram descobrindo o tropicalista. “Eu conhecia pouco do Caetano, mas depois do DVD com a Gadú, passei a me informar sobre o artista e a curtir as composições dele”, contou Rafaela Cruz, 17 anos, estudante de cursinho pré-vestibular.

Troca de beijos

Após nova troca de beijos, os dois voltaram a juntar as vozes em O quereres e Sampa. Em momento solo, Caetano passeou por clássicos de sua obra, como a belíssima e sincrética Milagres do povo e Desde que o samba é samba — uma das mais aplaudidas. Depois, atacou de Odeio, do álbum Cê, numa versão, digamos, mais light, acompanhado apenas pelo violão.

Quando relembrou Alegria alegria, que o tornou conhecido nacionalmente, ao participar do Festival da Record, de 1967, disse: “Foi Maria Gadú quem me fez voltar a cantar esta música.” Ela havia revelado, anteriormente, que cresceu ouvindo Caminhando contra o vento. Para o deleite dos admiradores conquistados mais recentemente, Caetano retomou o megassucesso Sozinho (Peninha), e soltou a voz em Shimbalaiê, assistido por uma comovida Gadú.

Na parte final do show, revezando-se no violão, Caetano e Gadú fizeram dueto em Vaca profana, Rapte-me camaleoa, Leãozinho, Odara, Trem das onze (Adoniran Barbosa) e Vai levando (Francis Hime e Chico Buarque), e deixaram o palco de mãos dadas. Sob aplausos calorosos, retornaram para o bis, e para a alegria do público cantaram Nosso estranho amor (gravada originalmente por Caetano com Marina Lima) e Menino do Rio, feita pelo compositor para o surfista Petit, em 1980, e que na voz de Baby Consuelo, virou tema de abertura da novela Água viva, de Gilberto Braga.

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