sábado, 5 de maio de 2012

Mesmo tímida e de poucas palavras, Maria Gadú faz o público ferver

Foto: Luciane Horcel

Com uma calça branca largada e uma regata meio surrada da mesma cor, Maria Gadú entra no palco quase encolhida em sua timidez. Mas basta o primeiro acorde ecoar pelo Teatro Positivo, onde se apresentou na noite de sexta-feira (4), para que a jovem se libertar.

No figurino simples, os acessórios são as duas guitarras e o violão que se revezam, ao longo do show, no pescoço da cantora. O grande trunfo, que faz qualquer um esquecer do visual, aparece quando a moça começa a cantar.

Logo no início do show, a voz limpa, afinadíssima e pouco rouca deixa a plateia quase anestesiada. Todos mudos até serem despertos por um sonoro “Boa noite Curitiba!!”, quase gritado por Gadú, logo depois de "Alguém Cantando" e “Reis”, escolhidas para abrirem a apresentação.

Aliás, há de se dizer que, além da voz da paulista, o efeito de hipnose foi resultado também de um outro artifício muito bem bolado: num telão quase transparente, que separava o público de Gadú, eram escritos nomes de grandes artistas, concomitantemente com a primeira canção.

Na vez da música “Extranjero”, a terceira do show, o telão subiu e o público foi à loucura vendo a artista mais nitidamente, mas ainda não tão de perto. Exatamente por causa do telão, a montagem da banda no palco ficou bem recuada, ou seja, mesmo quem pagou o gargarejo, não ficou de nariz colado com Gadú.

Com a iluminação valorizando os arranjos originais e o repertório alternando canções do primeiro CD, como “Bela Flor” e “Tudo Diferente”, com as do novo trabalho Mais Uma Página, como “Long Long Time”, “Like a Rose” e “Anjo de guarda noturno”, o show seguiu.

Entre uma música e outra, nada de papo ou muita interação. Com uma timidez aguda, Maria Gadú só dizia um introvertido “Obrigada gente”, nas breves pausas. O inusitado é que a falta de diálogo não comprometia em nada a reação do público. Talvez por ser evidente que não se trata de antipatia ou soberba por parte da cantora, simplesmente introspecção, a plateia respeita e segue com a idolatria.

Aliás, a tietagem é efusiva. Gritos histéricos, “linda!”; “maravilhosa”; “Te amo” são quase parte do show. Enquanto isso, lá no palco, Gadú dá sorrisos, agradece com acenos e às vezes até se espanta: “oxi!”, soltou depois de ouvir o berrar de tantos elogios.

Até aí, situação controlada. Mas já no bis, uma fã conseguiu drilblar os seguranças (ele chegou a patinar no palco) e surgir na frente da artista com os braços abertos.

Depois do abraço dado e da fã retirada, Gadú encerrou a apresentação com "Laranja" sendo cantada em coro por uma multidão que já se aglomerava no pé do palco, bem longe das cadeiras formais do teatro.

Participações especiais

O que poderia parecer um momento meio "lobby demais" no show virou uma grata surpresa.

Um concurso nacional (No Embalo da Rede) promovido pela Nextel, realizado com o objetivo de identificar jovens talentos da música brasileira, selecionou alguns cantores que, como prêmio, poderiam se apresentar com Maria Gadú.

A primeira a pisar no palco do Teatro Positivo foi a professora paranaense Kelly Mendonça, que soltou o vozeirão na música “Dona Cila”, um dos maiores sucessos de Gadú.

A boa postura em palco e a afinação da moça surpreenderam a plateia, que terminou de ir ao delírio com a apresentação de Renato Viana.

Cantando “João de Barro”, o grande vencedor do concurso deixou o público embasbacado, incluindo a própria Gadú que, enquanto o jovem cantava, vibrava e mostrava-se empolgada com a apresentação e terminou com “que isso, gente?”, logo que o músico saiu do palco.

Fonte: GazetadoPovo

Nenhum comentário:

Postar um comentário